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Segundo a AIEA, a Coreia do Norte retomou o seu programa nuclear

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 RFI 

© REUTERS/Kyodo

De acordo com o relatório anual da Agência Internacional da Energia Atómica, a Coreia do Norte terá retomado as suas actividades nucleares, em flagrante violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Neste documento datando da passada sexta-feira, esta entidade refere ter detectado sinais de funcionamento do reactor de Yongbyon, os primeiros desde finais de 2018, quando Pyongyang suspendeu as suas actividades, conforme estabelecido então com os Estados Unidos.

“Desde o início de Julho de 2021, há sinais compatíveis com o funcionamento do reactor, incluindo a descarga de água de resfriamento”, refere o relatório qualificando de “muito preocupantes” estes sinais bem como outros oriundos do laboratório de radioquímica de Yongbyon, que segundo as suas observações, terá também retomado em Junho as suas actividades de separação do plutónio e do combustível usado, no âmbito da possível elaboração de armas nucleares.

Ainda segundo a Agência Internacional da Energia Atómica que se baseia em imagens satélite, já que os seus inspectores foram expulsos do país em 2009, existem igualmente sinais de extracção e concentração numa mina e numa unidade de tratamento de urânio na localidade de Pyongsan, bem como naquilo que se acredita também ser uma unidade de enriquecimento, desta vez em Kangson.

Do ponto de vista de David Albright, presidente do Instituto para a Ciência e Segurança Internacional, a Coreia do Norte tem actualmente a capacidade de produzir material suficiente para a elaboração de quatro a seis bombas por ano.

Este relatório “demonstra a necessidade urgente de diálogo e diplomacia”, segundo um alto funcionário da administração americana. Ainda na semana passada, o Representante Especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Sung Kim, reiterou a sua disponibilidade para se avistar com os seus homólogos norte-coreanos “em qualquer lugar, a qualquer hora”.

Na última ronda de conversações entre Pyongyang e Washington, em 2019, quando Donald Trump ainda era presidente dos Estados Unidos, o seu homólogo norte-coreano chegou a propor-lhe o desmantelamento do complexo de Yongbyon em troca de um alívio das sanções, mas Trump rejeitou esta proposta por considerar que esta não era uma condição suficiente para um levantamento das sanções. Entretanto, desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca, Kim Jong Un já indicou não ter interesse em negociar enquanto não houver uma mudança de política por parte dos Estados Unidos.

Inaugurado em 1986 e situado a cerca de 100 quilómetros a norte de Pyongyang, o complexo nuclear de Yongbyon abrange dezenas de edifícios ligados ao programa nuclear norte-coreano. Apesar de albergar o primeiro e único reactor conhecido da Coreia do Norte, o seu encerramento poderia não significar o fim do programa nuclear do país, uma vez que se acredita que esta não é a única instalação de enriquecimento de urânio existente no território.

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