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Os avanços no tratamento do câncer de mama

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Henrique Salvador

Nesta última semana do Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a importância da realização de mamografia, gostaria de falar sobre os avanços no tratamento do câncer de mama, pois não há dúvidas de que, na última década, o combate à doença ganhou importantes aliados.

Hoje, temos tratamento específico para cada tipo de câncer e para cada paciente, o que chamamos de medicina oncológica personalizada. As armas terapêuticas para se tratar o câncer de mama são muitas e é imprescindível que a equipe que esteja atendendo a paciente identifique, para aquele caso específico, qual a melhor alternativa para o tratamento.

Anos atrás, quando comecei a exercer a mastologia, se procurava o máximo de tratamento que a paciente podia tolerar para tratar o câncer de mama. Hoje, o que procuramos fazer, e que se intensificou nos últimos 10 anos, é encontrar qual o mínimo tratamento necessário para controlar a doença de determinada paciente. Com isso, as cirurgias são menos invasivas e existe um equilíbrio muito grande entre as questões de qualidade de vida pós-tratamento de câncer de mama e a melhor escolha técnica para tratar um determinado tipo de câncer.

Não foram só as cirurgias de mama que evoluíram. As de axila, uma vez que a cirurgia oncológica para o câncer de mama envolve a abordagem da mama e da axila, também são cada vez menores, menos invasivas com o intuito, realmente, de controlar a doença.

Para a mama, atualmente existem técnicas que preservam a estética e que, consequentemente, causam uma assimetria menor entre as mamas, com técnicas da própria cirurgia plástica, chamada cirurgia oncoplástica. Com isso, o resultado estético pós-tratamento é muito satisfatório. E a cirurgia da axila é executada da mesma maneira. As cirurgias de antigamente eram muito mais agressivas, muito mais radicais e, com isso, existiam complicações como linfedema do braço e dificuldade de mobilização do ombro. Agora, esses problemas não existem mais. Com as cirurgias minimamente invasivas, temos controle adequado da doença, as informações necessárias para a sequência do tratamento e, ao mesmo tempo, poucos efeitos colaterais.

Usamos, basicamente, três linhas de drogas no tratamento: a quimioterapia, a hormonioterapia e a imunoterapia. Essas drogas são cada vez mais específicas, buscando uma melhor eficácia na sua utilização e um menor efeito colateral pelo uso desses tratamentos. Cada uma delas tem um efeito específico, mas, em linhas gerais, elas agem tentando bloquear a proliferação das células e do tumor. As quimioterapias, hoje, são cada vez mais específicas também e o médico escolhe, dependendo do tipo de câncer de mama, drogas que realmente possam ser mais eficazes.

Como se vê, não se trata, hoje, do câncer de mama de uma única maneira para todas as pacientes. Nós, médicos, procuramos entender se esse tumor é mais ou menos agressivo para, então, indicar drogas que sejam mais específicas.

A radioterapia também evoluiu muito. Os novos equipamentos permitem o tratamento em menos dias de utilização, concentrando a dose utilizada em cada aplicação. Inclusive, em algumas situações, é permitido fazer radioterapia intraoperatória, ou seja, durante a cirurgia. Com essa evolução, os efeitos colaterais são bem menores.
Porém, o melhor método para a detecção do câncer de mama ainda é a mamografia, que deve ser realizada de maneira anual a partir dos 40 anos. A pandemia trouxe como efeito colateral uma queda no número de consultas e mamografias. O que tememos, e que já começo a ver, é um número grande de pacientes com tumores maiores. Isso é um grande problema, porque uma das armas principais no controle do câncer de mama é o diagnóstico precoce. O fato de a mulher não ter realizado exame no ano passado, ou até em 2021, traz consequências ruins em relação ao controle da doença. Outubro é o mês mundial de conscientização para a importância do diagnóstico precoce para o câncer de mama. É a oportunidade para que as mulheres percebam que têm de estar atentas e realmente focar no autocuidado, no autoconhecimento, com ela própria sendo um fator de proteção para a sua vida, ela própria cuidando de si, buscar serviços de saúde especializados, onde ela possa se prevenir, fazendo mamografia e recebendo informações adequadas para o controle do câncer de mama no Brasil. Por isso, minha recomendação é para que as mulheres procurem fazer seus exames o mais urgente possível.

Dr. Henrique Salvador, mastologista, é CEO da Rede Mater Dei de Saúde.

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