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Facebook: Zuckerberg defende-se de acusações de “falência moral”

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 RTP –

O fundador do Facebook veio defender-se das acusações de que a empresa privilegia o lucro em detrimento da segurança e do bem-estar dos utilizadores. “Isto simplesmente não é verdade”, escreveu na rede social, após uma antiga funcionária ter prestado depoimento no Congresso, onde foi chamada de “heroína do século XXI”. Os congressistas exigiram que sejam investigadas as acusações de que o Instagram prejudica a saúde mental das crianças e alimenta divisões.© Reuters –

O fundador do Facebook defender-se das acusações de que a empresa privilegia o lucro em detrimento da segurança e do bem-estar dos utilizadores. “Isto simplesmente não é verdade”, escreveu na rede social, após uma antiga funcionária ter prestado depoimento no Congresso, onde foi chamada de “heroína do século XXI”. Os congressistas exigiram que sejam investigadas as acusações de que o Instagram prejudica a saúde mental das crianças e alimenta divisões.

“No centro destas acusações está a ideia de que damos prioridade aos lucros em vez da segurança e do bem-estar. Isto simplesmente não é verdade”, escreve Mark Zuckerberg numa publicação na sua conta na rede social Facebook.

Notando que “muitas das acusações não fazem sentido” e que “não reconhece o quadro falso da empresa que está a ser pintado”, Mark Zuckerberg tenta desmontar a acusação de Frances Haugen de que o Facebook engana repetidamente o público.

O argumento de que promovemos deliberadamente conteúdos que enfurecem as pessoas para obterem lucro é ilógico. Ganhamos dinheiro com a publicidade e o que os anunciantes nos dizem constantemente é que não querem que os seus anúncios apareçam ao lado de conteúdos que sejam prejudiciais ou que gerem raiva”, escreveu o fundador do Facebook.

Durante uma audiência da subcomissão de Comércio do Senado, a denunciante tinha pedido transparência sobre a estratégia da empresa americana para incentivar os utilizadores a continuarem a navegar, desta forma aumentando as oportunidades de contacto para os anunciantes.

A engenheira informática licenciada em Harvard, utilizou as palavras “espiral” e “falência moral” para classificar a situação que encontrou ao chegar ao Facebook em 2019, uma empresa que terá renunciado aos princípios morais em prol do lucro.

Enquanto o Facebook estiver a operar nas sombras, escondendo as suas investigações do escrutínio público, é inexplicável“, disse Haugen, que abandonou a empresa, para a qual trabalhou durante cerca de dois anos, após reunir milhares de documentos confidenciais. Ainda de acordo com Frances Hagen, o Facebook retém informações do público e dos governos.

O Facebook está preso numa espiral da qual eles não podem escapar. Escondem a informação porque se sentem presos. (…) Têm que admitir que erraram, que precisam de ajuda. A isto chama-se falência moral”, declarou a denunciante.

A audição de Frances Haugen, de 37 anos, antiga engenheira informática e gestora de projeto da equipa de desinformação, no Congresso vem na sequência dos documentos revelados através do Wall Street Journal e de uma entrevista ao programa 60 Minutes do canal CBS.

A liderança da empresa sabe como tornar o Facebook e o Instagram mais seguros, mas não fará as mudanças necessárias porque colocou seus lucros astronómicos antes das pessoas. É necessária uma ação do Congresso“, defendeu Haugen. Segurança das crianças

Uma das acusações da antiga funcionária que o patrão do Facebook tenta desmontar é a ideia de que as suas plataformas são prejudiciais para as crianças e que a utilização do Instagram é fomentada até se tornar viciante.

“Os documentos que forneci ao Congresso provam que o Facebook enganou repetidamente o público acerca do que a sua própria investigação revela sobre a segurança das crianças, a eficácia da sua inteligência artificial, e o seu papel na divulgação de mensagens divisórias e extremistas”, afirmou Frances Hagen.“Estou particularmente focado nas questões levantadas sobre o nosso trabalho com crianças”, redarguiu por seu lado Mark Zuckerberg.

A realidade é que os jovens usam tecnologia. Pense em quantas crianças em idade escolar têm telefones. Em vez de ignorar isto, as empresas de tecnologia devem construir experiências que atendam às suas necessidades e também mantê-las seguras”, escreveu, dando como exemplo o Messenger Kids e uma experiência de controlo parental para o Instagram, que não foi implementada.

Quanto ao relatório interno sobre como o Instagram afeta os jovens, o dono da empresa nota que em “áreas sérias como solidão, ansiedade, tristeza e problemas alimentares”, muitos adolescentes que admitiram ter lutado contra estes problemas “também disseram que o Instagram tornou melhores aqueles momentos difíceis”.

Ainda de acordo com documentos internos publicados no Wall Street Journal, uma parte dos utilizadores adolescentes do Instagram está cada vez menos confortável com o seu corpo.

Para desacreditar as acusações de Frances Hagen neste aspeto, um porta-voz do Facebook escreveu que Frances Haugen “não trabalhou com proteção à criança (no Facebook) ou no Instagram (…) e não tem conhecimento direto desses tópicos a partir de seu trabalho no Facebook”.

“Sei que o Facebook tem os meios e potencialmente a motivação para arruinar a minha existência, mas aceito-o porque sei que estou de acordo com os meus valores e com as minhas convicções”, afirmou Frances Haugen num depoimento vídeo publicado domingo.Melhor regulação

Frances Haugen defende ainda que deve ser pedida ao Facebook mais transparência na partilha de informações, com a ajuda de um novo regulador para os gigantes da internet, capaz de entender a complexidade dessas plataformas.

Por seu lado, Zuckerberg nota que as empresas privadas não devem tomar todas as decisões sozinhas. “É por isso que há vários anos que defendemos a atualização da regulamentação da internet”, acrescenta.

Também a diretora de comunicações do Facebook veio a público sublinhar a necessidade de novas regras.

“É hora de criar novas regras uniformes para a internet. Passaram 25 anos desde a última atualização das regras para a internet, e em vez de esperar que a indústria faça mudanças para a sociedade que cabem aos legisladores, é hora do Congresso agir”.

Congresso promete investigar

No Congresso, os senadores exigiram que os reguladores investigassem as acusações de que o Facebook prejudica a saúde mental das crianças e alimenta divisões.

A senadora Kirsten Gillibrand considera ter chegado a “hora de criar uma agência de proteção de dados e responsabilizar (os gigantes da tecnologia)”.

Foi um catalisador de mudança como eu nunca vi antes e tenho trabalhado nestes assuntos há 10 ou 15 anos”, disse o senador democrata Richard Blumenthal, dirigindo-se a Frances Haugen.

É uma heroína do século XXI, que alertou o nosso país para os perigos que a nossa juventude e a nossa democracia enfrentam“, elogiou o senador democrata Ed Markey. “A nossa Nação está-lhe grata“, acrescentou Ed Markey, que prometeu iniciativas no Congresso para acabar com a invasão da vida privada e com a promoção de conteúdos tóxicos nas redes sociais.

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