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O que é a “Síndrome de Havana”, doença misteriosa que afetou Kamala Harris no Vietnam

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 SIC Notícias –

Uma doença misteriosa tem atingido diplomatas norte-americanos um pouco por todo o mundo desde há cinco anos. Apelidada “síndrome de Havana” é por vezes descrita como “ataques acústicos”. Mas que estranho mal é este? Doença ou ataque estrangeiro? Será que há uma potência rival por trás?

© Evelyn Hockstein / AP

A visita da vice-presidente dos Estados Unidos Kamala Harris ao Vietnam, que foi atrasada várias horas esta semana devido a um “incidente anormal de saúde” voltou a trazer à tona este fenómeno ao qual Washington ainda não conseguiu dar respostas.

Os primeiros casos

Foi em 2016 que os primeiros diplomatas norte-americanos, que estavam destacados em Cuba, se queixaram de sintomas que não sabiam explicar bem.

Mas só em 2017 o caso veio à tona, quando o então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a maioria dos diplomatas em Havana para se inteirar desta nova ameaça.

Entre o final de 2016 e maio de 2018, mais de 20 funcionários do Governo dos Estados Unidos e elementos das suas famílias em Cuba , bem como diplomatas canadianos, manifestaram sintomas.

Em 2018, sintomas semelhantes foram relatados entre dezenas de diplomatas norte-americanos na China. E continuaram a ser assinalados na Alemanha, Austrália, Rússia, Taiwan e até em Washington.

Em julho passado, a revista The New Yorker relatava a existência de mais de 20 casos em Viena desde o início de 2021.

O Departamento de Estado dos EUA recusa fornecer uma estimativa global do número de pessoas afetadas. “Foram mencionados 200 casos”, confirmados ou suspeitos, disse à AFP uma fonte próxima ao assunto.

Quais são os sintomas?

“Muitas pessoas ouvem um ruído persistente, sentem uma dor aguda e uma forte pressão na cabeça”, explicou a mesma fonte, descrevendo também efeitos a longo prazo como “dificuldade de concentração e lapsos de memória”.

Os diplomatas afetados sofriam de uma série de sintomas, desde problemas de equilíbrio e tonturas, de coordenação motora, movimento dos olhos, bem como ansiedade, irritabilidade e uma “névoa cognitiva”.Também chegaram a ser diagnosticadas lesões cerebrais.

“Cada caso relatado de um possível incidente de saúde inexplicável é único” e “levamos cada relatório muito a sério” para “fornecer aos funcionários afetados o cuidado e o apoio necessários”, disse um porta-voz da diplomacia norte-americana à AFP.

Investigadores que analisaram exames médicos das vítimas disseram que os seus cérebros “sofreram algo” que provocou “alterações”.

Quais são as causas?

Sucederam-se várias hipóteses, umas mais outras menos rebuscadas. Uma teoria sugeria que o ruído ouvido pelas vítimas correspondia ao canto de um grilo, outra avançava com um possível envenenamento por pesticidas.

Mas, de acordo com um relatório da Academia Americana de Ciências, “a energia das ondas de rádio direcionadas” é a causa mais provável desses sintomas. Os feixes de microondas são uma explicação que surge regularmente.

Mas apesar de uma investigação, que está em curso desde os primeiros casos relatados, a administração norte-americana ainda não conseguiu “determinar a causa destes incidentes nem se eles constituem um ataque por parte de um ator estrangeiro”, admite o Departamento de Estado.

“Ataques estrangeiros”?

Depois deste caso em Hanoi que envolve agora a vice-Presidente dos EUA, o ex-agente da CIA Marc Polymeropoulos, ele próprio vítima da síndrome em Moscovo em 2017, mencionou claramente a hipótese de ataques.

“Parece-me que os nossos adversários estão a enviar-nos uma mensagem clara, de que não são apenas capazes de atingir os nossos agentes secretos, os nossos diplomatas e os nossos militares”, mas também “os nossos mais altos funcionários”, disse Marc Polymeropoulos esta quarta-feira ao site especializado em segurança nacional Cipher Brief.

Desde o início desta questão, as autoridades norte-americanas hesitaram, com alguns responsáveis a minimizar os sintomas atribuindo-os apenas ao stress, mas há também quem mencione, em privado, a hipótese de ataques estrangeiros e suspeitando sobretudo da Rússia.

A administração Trump, que não hesitou em provocar uma crise diplomática com Cuba, foi acusada por algumas vítimas afetadas na China de subestimar os seus casos por motivos políticos: segundo elas, Trump não queria zangar-se com Pequim no momento em que era negociado um acordo comercial.

O AFSA, o principal sindicato que representa os diplomatas americanos, disse num documento interno obtido pela AFP que vai insistir para que as vítimas “suspeitas” comecem a ser tratadas como vítimas “confirmadas” e afirma que está satisfeito com o progresso nos últimos meses promovido pela Administração Biden.

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